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O Ódio Nojento de Vasco Pulido Valente...
sexta-feira, outubro 23, 2009Não se conhece a Vasco Pulido Valente uma palavra simpática sobre seja o que for. Preso no século XIX de onde nunca conseguiu sair, esta múmia a quem ficámos a conhecer (para além da prosa execrável) a voz estridente e irritante naquela parelha única da TV que a censura fez o triste favor de tirar do ar, dedica hoje a sua crónica de ódio a José Saramago. Não pelo seu livro, não pelas suas declarações. Apenas porque Saramago não foi parido pela elite burguesa e decadente que ao país só trouxe atraso e miséria.
Para VPV as ideias de Saramago são “de trolha ou tipógrafo semi-analfabeto”, produto da senilidade dos seus “80 e tal anos”. O Nobel foi atribuído como a “vários camaradas que não valiam nada” e é lido por milhões de pessoas “acéfalas que nem distinguem a mão esquerda da mão direita.” VPV não reconhece “a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a bíblia ou sobre qualquer outro assunto”. Essa suposta autoridade só lhe deve ser concedida porventura a ele próprio que opina acerca de tudo dizendo pouco mais do que nada, mantendo porém sempre o indelével traço da arrogância e altivez. Depois vem a velha lenga-lenga do PREC e do DN há muito desmentida, quer por Saramago, quer por quem o acusava, mas parece que tal não teve eco nas masmorras do séc. XIX onde VPV está agrilhoado.
Mas a sobranceria e desdém não acabam aqui: “Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve” e a pérola final diz tudo sobre o carácter do seu autor: “D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação.” Ou seja, resume tudo à falta de berço, argumento tão querido à nata da sociedade que passados quase 100 anos sobre a fundação da República ainda não entendeu (apesar de todas as obras e teses por ele publicadas) nem o seu significado, nem sequer a premissa de que somos Homens iguais a quem se devem dar iguais direitos e iguais oportunidades. E é por isso que destila diariamente o ódio a tudo e a todos que vêm de baixo, aos que sobem a pulso, aos que não se deixam vencer pela sua condição social, aos que indo da “província” para Lisboa não se intimidam pelas elites que ainda se julgam aristocráticas por viverem das rendas que os negócios do estado proporcionam, bem mais lesivas para o país do que os supostos milhões perdidos para os pobres preguiçosos do RSI a quem todos culpam.
A verborreia de VPV é bafienta e rancorosa. Nada mais. Um produto de quem pouco vivendo prefere o ataque à vida dos outros. VPV coloca-se num pedestal tão alto que acaba por pouco ou nada ver, e quando vê, vê desfocado pela névoa do preconceito.
E conclui: “O que espanta neste ridículo (...) é a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e escolaridade obrigatória”. Deve estar a pensar nele próprio, pois acabou por lhe dedicar toda a sua crónica no Público de hoje, e logo na irrelevante última página do jornal... Quem se espanta sou eu perante espantalhos destes!
Para VPV as ideias de Saramago são “de trolha ou tipógrafo semi-analfabeto”, produto da senilidade dos seus “80 e tal anos”. O Nobel foi atribuído como a “vários camaradas que não valiam nada” e é lido por milhões de pessoas “acéfalas que nem distinguem a mão esquerda da mão direita.” VPV não reconhece “a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a bíblia ou sobre qualquer outro assunto”. Essa suposta autoridade só lhe deve ser concedida porventura a ele próprio que opina acerca de tudo dizendo pouco mais do que nada, mantendo porém sempre o indelével traço da arrogância e altivez. Depois vem a velha lenga-lenga do PREC e do DN há muito desmentida, quer por Saramago, quer por quem o acusava, mas parece que tal não teve eco nas masmorras do séc. XIX onde VPV está agrilhoado.
Mas a sobranceria e desdém não acabam aqui: “Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve” e a pérola final diz tudo sobre o carácter do seu autor: “D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação.” Ou seja, resume tudo à falta de berço, argumento tão querido à nata da sociedade que passados quase 100 anos sobre a fundação da República ainda não entendeu (apesar de todas as obras e teses por ele publicadas) nem o seu significado, nem sequer a premissa de que somos Homens iguais a quem se devem dar iguais direitos e iguais oportunidades. E é por isso que destila diariamente o ódio a tudo e a todos que vêm de baixo, aos que sobem a pulso, aos que não se deixam vencer pela sua condição social, aos que indo da “província” para Lisboa não se intimidam pelas elites que ainda se julgam aristocráticas por viverem das rendas que os negócios do estado proporcionam, bem mais lesivas para o país do que os supostos milhões perdidos para os pobres preguiçosos do RSI a quem todos culpam.
A verborreia de VPV é bafienta e rancorosa. Nada mais. Um produto de quem pouco vivendo prefere o ataque à vida dos outros. VPV coloca-se num pedestal tão alto que acaba por pouco ou nada ver, e quando vê, vê desfocado pela névoa do preconceito.
E conclui: “O que espanta neste ridículo (...) é a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e escolaridade obrigatória”. Deve estar a pensar nele próprio, pois acabou por lhe dedicar toda a sua crónica no Público de hoje, e logo na irrelevante última página do jornal... Quem se espanta sou eu perante espantalhos destes!
"A Velhice do Padre Eterno" - Por um Ateísmo Militante!
quarta-feira, outubro 21, 2009
Para quem se indignou com as palavras de Saramago a propósito do seu mais recente livro, aqui ficam uns versos bem mais acutilantes de Guerra Junqueiro, escritos no século XIX mas que incrivelmente ainda fazem todo o sentido, porque para alguns ainda foi deus que criou o Homem e não o Homem a criar deus. Esta sim é a melhor tradução do Génesis:
“Jehovah, por alcunha antiga o Padre Eterno
Deus muitissimo padre e muito pouco eterno,
Teve uma ideia suja, uma ideia infeliz:
Poz-se a esgaravatar co-o dedo no nariz,
Tirou d'esse nariz o que um nariz encerra,
Deitou depois isso cá baixo, e fez a terra.
Em seguida tirou da cabeça o chapeu,
Pol-o em cima da terra, e zás, formou o céo.
Mas o chapéu azul do Padre Omnipotente
Era um velho penante, um penante indecente,
Já muito carcomido e muito esburacado,
E eis ahi porque o céo ficou todo estrellado.
Depois o Creador (honra lhe seja feita!)
Achou a sua obra uma obra imperfeita,
Mundo serrafaçal, globo de fancaria,
Que nem um aprendiz de Deus assignaria,
E furioso escarrou no mundo sublumar,
E a saliva ao cahir na terra fez o mar.
Depois, para que a Egreja arranjasse entre os povos
Com bulas da cruzada alguns cruzados novos,
E Tartufo podesse inda d'essa maneira
Jejuar, sem comer de carne á sexta feira,
Jehovah fez então para a crença devota
A enguia, o bacalhau e a pescada marmota.
Em seguida metteu a mão pelo sovaco,
Mais profundo e maior que a caverna de Caco,
E arrancando de lá parasitas extranhos,
De toda a qualidade e todos os tamanhos
Lançou sobre a terra, e d'este modo insonte
Fez elle o megatheiro e fez o mastodonte.
Depois, para provar em summa quanto póde
Um Creador, tirou dois pellos do bigode,
Cortou-os em milhões e milhões de bocados,
(Obra em que elle estragou quatrocentos machados)
Dispersou-os no globo, e foi d'esta maneira
Que nasceu o carvalho o platano e a palmeira.
..................................................
Por fim com barro vil, assombro da olaria!
O que é que imaginaes que o Creador faria?
Um pote? não; um bicho, um bipede com rabo,
A que uns chamam Adão e outros Simão. Ao cabo
O pobre Creador sentindo-se já fraco.
(Coitado, tinha feito o universo e um macaco
Em seis dias!) pensou: — Deixem-nos de asneiras.
Trago já uma dôr horrivel nas cadeiras,
Fastio... Isto dá cabo até d'uma pessoa...
Nada, toca a dormir uma sonata boa!
Descalçou-se, tirou os oc'los e chinó,
Pitadeou com delicia alguns trovões em pó,
Abriu, para cahir n'um somno repentino,
O alfarrabio chamado o livro do Destino.
E enflanelando bem a carcassa caduca,
Com o barrete azul celeste até á nuca,
Fez ortodoxamente o seu signal da cruz
Como qualquer de nós, tossiu, soprou á luz,
E de pança p'ro ar, n'um repoiso bemdicto,
Espojou-se, estirou-se ao longe do infinito
N'um immenso enxergão de nevoa e luz doirada.
E até hoje, que eu saiba, inda não fez mais nada.”
Tive conhecimento destes versos através do meu saudoso professor de português no 12º ano, Dr. Moreira, um daqueles que se ama ou se odeia e cujo estilo peculiar lhe causava alguns dissabores. Desses tempos, o único dissabor que tenho é pensar que passei grande parte das aulas a jogar Xadrez...
PSD bate no fundo... Outra vez? "Tenho vergonha de o ter como compatriota!"
terça-feira, outubro 20, 2009
Depois da vergonhosa exclusão de Saramago nos governos Cavaco, eis que um eurodeputado do PSD que ninguém conhece pede ao único Nobel português que renuncie à cidadania. Motivo: Ateísmo militante. Eu pedia era ao eurodeputado Mário David que renunciasse pelo menos ao mandato... E o PSD, que não tem nenhuma ideia nem para o país, nem para o partido sequer, deveria era envergonhar-se por se tentar substituir ao único partido que se afirma claramente cristão, o CDS, embora não-praticante.
"Tenho vergonha de o ter como compatriota!" disse o sr. eurodeputado, referindo-se às críticas de Saramago aos "valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter"... Definem? "Nem sequer sou católico praticante, mas tenho o direito à indignação". Mas que raio de raça é essa que se afirma católica, mas não pratica?
Eu não lhe retiraria a cidadania, mas excomungava-o pelo menos...
Mas o PSD é isto mesmo. É acreditar nas coisas mas não praticar. É acreditar na economia de mercado e viver das rendas do estado, é acreditar na asfixia democrática e não deixar respirar ninguém, é acreditar na liberdade de expressão e censurar aqueles que opinam de forma contrária. O PSD é uma anedota de si mesmo, nada mais.
Saramago apenas disse a verdade. A bíblia é uma colecção de horrores, sadismo, vingança, fornicação e violência que hoje levaria sempre uma bolinha vermelha no canto duperior direito sempre que quisese ser ficcionada para TV. A religião é um ópio, a fé é a cegueira face à razão e o catolicismo é a perpetuação do medievalismo.
Lá vem o nacional-provincianismo... Saramago vive em Espanha. A Maitê é brasileira. Mário David é simplesmente um Otário que vive em Bruxelas.
Parafraseando uma luminária da bola: Meu deus, mas que "raio de democracia é esta?"
A religião é uma estupidez, ontem hoje e sempre.
"Tenho vergonha de o ter como compatriota!" disse o sr. eurodeputado, referindo-se às críticas de Saramago aos "valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter"... Definem? "Nem sequer sou católico praticante, mas tenho o direito à indignação". Mas que raio de raça é essa que se afirma católica, mas não pratica?
Eu não lhe retiraria a cidadania, mas excomungava-o pelo menos...
Mas o PSD é isto mesmo. É acreditar nas coisas mas não praticar. É acreditar na economia de mercado e viver das rendas do estado, é acreditar na asfixia democrática e não deixar respirar ninguém, é acreditar na liberdade de expressão e censurar aqueles que opinam de forma contrária. O PSD é uma anedota de si mesmo, nada mais.
Saramago apenas disse a verdade. A bíblia é uma colecção de horrores, sadismo, vingança, fornicação e violência que hoje levaria sempre uma bolinha vermelha no canto duperior direito sempre que quisese ser ficcionada para TV. A religião é um ópio, a fé é a cegueira face à razão e o catolicismo é a perpetuação do medievalismo.
Lá vem o nacional-provincianismo... Saramago vive em Espanha. A Maitê é brasileira. Mário David é simplesmente um Otário que vive em Bruxelas.
Parafraseando uma luminária da bola: Meu deus, mas que "raio de democracia é esta?"
A religião é uma estupidez, ontem hoje e sempre.
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