Viseu Esquerda
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Centenário da República no Mercado 2 de Maio: Ópera, Tragédia e... Promessas de Redenção!

sábado, julho 03, 2010

Foi com algumas expectativas que fui assistir no passado dia 17 de Junho à estreia da CINCO - Ópera do Centenário da República. Confesso o meu enorme desapontamento. Tudo indicava que fosse um grande espectáculo. Afinal, o projecto tinha como autor Carlos Clara Gomes, responsável pelo libreto, música e encenação e produção da Companhia DeMente, que tem como princípio a participação de elencos voluntários locais mesclados com profissionais e o “esbater de fronteiras entre palcos e plateias, conferindo ao Público o estatuto de Ser Activo, Crítico e Participante.”

Uma desilusão. A Ópera, a apresentar em 2 partes e em 2 dias seguidos no Mercado 2 de Maio, começou logo da pior maneira: adiada por motivos técnicos, creio que relacionados com a produção do DVD a projectar. Assim, optou-se por um espectáculo de enfiada no dia seguinte, com mais de 3 horas de duração.

O espaço não era o melhor. O Mercado 2 de Maio não apresenta condições mínimas e era confrangedor ver os artistas a mudarem os figurinos em tendas. O som imperceptível apesar de a espaços se notar alguma qualidade no texto. Os microfones pareciam desligados ou mal colocados. A tela, onde se viam passar as imagens que ilustrariam os acontecimentos, a esvoaçar constantemente por não estar presa. No palco entravam actores quando não deviam. O seu contrário também: Playbacks sem ninguém a interpretar. As luzes muitas vezes falhavam o alvo. Confrangedor. Em vez de uma Ópera, saí com a ideia de ter assistido a uma tragédia.

Em conversas posteriores com alguns intervenientes deu para perceber o porquê de tantas falhas grosseiras. Afinal, o primeiro ensaio geral foi no próprio dia do espectáculo, durante o próprio espectáculo. Em sintonia com o costume também secular e tipicamente português de deixar tudo para o último minuto.

Mas foram os próprios a reconhecer a pobreza do espectáculo apresentado. E ficou a promessa de redenção. De Guimarães chegam notícias de que correu bastante melhor. Ou não. O que retenho sobretudo é a promessa de redenção com o agendamento para Viseu de um novo espectáculo. O Público merece. E os intervenientes também. E isso é de enaltecer. O reconhecimento do erro, e a tentativa de correcção. Afinal aprende-se a caminhar, andando, com muitos trambolhões à mistura. Eu estarei lá para mais uma oportunidade.

A República definha, bem sabemos, mas não merece tão fraca figura. Ópera, Tragédia e Redenção.

Tal e qual a história da própria, com a sua agenda modernizadora e secular até ao 28 de Maio, dia obscuro que apagou a chama do país durante uma longa noite de 48 anos, décadas após as quais o sol do havia de nascer, mesmo que por um dia, para todos nós. A 25 de Abril.

Tal e qual o próprio Mercado 2 de Maio que serviu como pobre palco. Das expectativas goradas do projecto de Siza Vieira à realidade da total inoperância e falta de dinâmica do mesmo, aos clamores por uma necessária remodelação, nem que seja pelo regresso ao passado, e que até já partem da própria Câmara Municipal de Viseu.

Humildade de quem sabe que pode e deve fazer melhor, são as lições que se retiram. E toda a solidariedade para quem se propõe a corrigir o caminho quando este se afigura mau ou errado.
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Arnaut exige portagens na A25 e A24! Votaram nele? Agora F****-SE!

quarta-feira, junho 23, 2010


Ontem ouvi estupefacto um deputado do PSD eleito por Viseu (Arnaut de seu nome, alguém já o viu por aí???) defender a introdução de portagens em TODAS as SCUT. TODAS! No debate da SIC Notícias que o opõe a Luís Fazenda, o único argumento do homem era o de que ou pagavam todos ou não pagava ninguém, tentando colocar sempre o ênfase no artificialismo bacoco da guerra norte-sul que tentou vender, acolitando Rio. Perdeu. A imbecilidade demagoga do seu discurso crescia a cada minuto, mas o homem teve o pudor de nunca ter referido o distrito pelo qual foi eleito, poupando pelo menos o embaraço e a vergonha às 80.000 pessoas que votaram nele!

Ao argumento do bloquista que afirmava o facto da generalidade das auto-estradas em Lisboa serem pagas, tal como as pontes sobre o Tejo, respondeu mudando a bitola para o raciocínio de que não deveriam ser só Lisboa e Porto a pagar. Queria ir para a guerra dar, mas levou.

Quando alertado para a falta de alternativas a muitas das SCUT apontou a necessidade de estudos, “os deputados não são técnicos”. No seu caso, nem sei se deputado até não será um título demasiado.

Ao ser confrontado com o exemplo do estudo sobre a óbvia inviabilidade da N125 (Algarve) enquanto alternativa à Via do Infante arrepiou caminho e afirmou “pronto, então essa não deveria ser portajada”. Pronto, já chega que eu também não encontrei o link para o jornal das 9 de ontem e não quero fazer das minhas, palavras do Sr.

E a alternativa à A25 Sr. Deputado? E à A24 Sr. Deputado? O Sr. só precisa de um estudo porque só poisa por cá de 4 em 4 anos para que os carneiros do costume lhe façam o favor de colocar o papelinho com um X na setinha seguido de depósito na respectiva urna. Um X que até deveria ser rabiscado logo na constituição das listas e sob a foto do Sr. deputado que a este distrito não acrescenta nada, e o melhor que se propõe acrescentar são euros no cofre do estado à custa da interioridade das gentes que o elegeram e das falsas promessas dos eleitos!

Como eu o compreendo. Afinal não custa nada pagar 20 ou 30 euros para vir à terrinha de 4 em 4 anos (Ok, se houver eleições antecipadas são menos); não custa nada quando se tem imunidades e borlas à pala de ser deputado de um distrito que vossa excelência não respeita; não custa tanto quando se tem um ordenado líquido que pode chegar a ser 10 vezes maior que o salário mínimo nacional; e não custa muito quando se é conhecido pela defesa dos transportes alternativos, como o pára-quedas que vossemecê veste sempre que há legislativas para até cá se deslocar.

Mas nem tudo são más notícias. O Sr. Deputado vai candidatar-se à presidência da Mesa da Assembleia Geral da Federação Portuguesa. Espero que ganhe e abdique do seu lugar no parlamento a favor de alguém que se interesse pelos seus eleitores e dignifique o lugar que ocupa na República. Até porque aí, a guerra norte-sul que quis vender ontem, terá decerto muitos e bons compradores.

Isto só me faz lembrar um antigo cartaz anarquista que rezava assim:

Votaram nele?
Agora Fodam-se!



Quando numa democracia uma esferográfica, uma t-shirt ou um boné valem vezes de mais um voto, pouco ou nada sobra para dizer que não isto.
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Mais umas pedradas na "Intifada" beirã do AJ, regadas com uns aperitivos raianos!

terça-feira, junho 15, 2010
Pedradas direitinhas para o laxismo das autoridades na zona da Ribeira. Quer na inexistência de repuxo (talvez devido ao lodaçal...) do Pavia e porque este se prepara para ficar com o tradicional relvado de Verão; quer e sobretudo pelas falsas promessas de colocação da roda motriz que permitiria segundo Américo Nunes "produzir 10 por cento da energia" necessária para o funcionamento do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA) e que tanto orgulho ambiental causou no nosso presidente à altura, onde se insuflou para dizer que aquele era "um sinal de que nos preocupamos com os problemas do ambiente sem estarmos a atirar para os outros aquilo que é da nossa responsabilidade”. A velha história da fachada...

Ainda recentemente tive a oportunidade de passar por Idanha-a-Velha. Antiga sede de concelho no interior dos interiores, retoma hoje um pouco do seu brilho. E só vou dar uns poucos exemplos daquilo que se poderia fazer, a nível da valorização do património:

Possibilidade de interacção através de interfaces simples, conjugando passado com futuro e traduzindo para todos a linguagem vedada a especialistas:


Antigo e tradicional Lagar de Azeite, reconstituído a braços à poucos anos, cessou definitivamente a labora em 1959. Um exemplar quase única da "indústria" portuguesa da época.



Quando não existe espaço para todo espólio, a solução é em tudo contrária ao armazenamento numa qualquer cave de museu... Uma curiosidade, onde param os artefactos e outros achados históricos da nossa cidade? No Almeida Moreira? Não. Em Calde? Não. Onde?


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Festival de Curtas Online sediado em Viseu

terça-feira, junho 08, 2010

Ora aqui está uma coisa digna de registo. Bem divulgado e bem poderia ser um alicerce alternativo no marasmo muitas vezes folclórico da cultura em Viseu. Tem por nome Vistacurta mas poderá tão ampla quanto o seu sucesso.

Um festival de curtas-metragens aberto mesmo a filmes de baixa-resolução, haja inspiração, organizado pelo Cine Clube Viseu em parceria com o Sapo. E apesar da plataforma virtual, os trabalhos serão exibidos em Julho na Praça D. Duarte.

"...Festival de Curtas de Viseu (que) parte do conjunto de potencialidades virtuais, levando a transferir o conceito da sala convencional de cinema para a Internet, aumentando as possibilidades de visionamento e reflexão crítica das obras, sem fronteiras físicas ou linguísticas."
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Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza

segunda-feira, junho 07, 2010

É a partir deste verso isolado da última obra conhecida de Herberto Hélder, um dos mais enigmáticos escritores portugueses vivos, intitulada "A Faca não Corta o Fogo", que a coreógrafa Vera Mantero parte para a reflexão "sobre o colectivo como resposta à criação, sobre a comunicação entre performers e público, mas também sobre a dança enquanto movimento poético, sugestivo e filosófico."

O mote está dado: «Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza». A ver dia 12 de Junho no Teatro Viriato.
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Em Ranhados, começou a caça às bruxas! O Sr.Presidente deu o 1º Tiro... no pé!

terça-feira, maio 25, 2010
O presidente da Junta de Freguesia de Ranhados anda indignado com a situação na Avenida da Regada. Não por causa do esventrado desvio que obriga a quem vem da EN231 a passar pela dita e que tanto tem feito pela economia local, mesmo antes da conclusão do novo troço. Que o digam os mecânicos com os sucessivos alinhamentos de direcção derivados das crateras na estrada e os proprietários de lavagens automáticas cá do burgo tanta é a poeira no ar. Nada de novo. Mas não. O que incomodo o Sr. presidente é a bruxaria e a prostituição junto do cemitério. Caro, olhe que por aqui nem toda a gente anda de Jipe!

Mas o Sr. Presidente só contou metade da história...

As senhoras que oferecem os seus serviços
já pousam ali literalmente há décadas. A estrada, pouco ou nada frequentada até ao início das obras, é hoje calcorreada diariamente por centenas ou mesmo milhares de automóveis. E parece ser esse o incomodo do Sr. Presidente, a aparência, a visibilidade. Nenhuma palavra para a necessidade que obriga as senhoras a alugar o corpo, nenhuma palavra para a falta de iluminação do cemitério. Não, a PSP é que não actua...

Caro Sr. Presidente, a prostituição nem sequer é crime em Portugal. Apenas o seu incentivo ou exploração por parte de outro. Qual é a lei que proíbe mulheres de se sentarem à beira da estrada a ver os carros passar, a apanhar boleia ou a ter relações sexuais com outra pessoa?

O artigo 170 do Código Penal apenas refere que “quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição ou a prática de actos sexuais de relevo é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos” sendo omisso quanto à relação entre prostituta e cliente por se tratar de uma relação voluntária.

Melhor faria se pegasse na Polícia do Município e usasse o regulamento da sua cidade que até proíbe cuspir para o chão ou lavar o carro à porta de casa, da maneira que lhe conviesse… em vez de andar a incomodar a PSP com tais menoridades. Até podia colocar um simples sinal de proibido parar e estacionar o que obrigaria as prostitutas a entrar nos carros em andamento e sabendo nós a idade das senhoras... Se há lixo, atentado ao pudor ou o que seja, multe-se. Evitem-se mas é os dias de chuva, pois as botas dos polícias parecem ter pouca sola.


Quanto ao cemitério, apenas é condenável o assédio dos potenciais clientes a quem vai homenagear os seus falecidos. Já velas negras são iguais às brancas, ou agora também há racismo beato? Garrafas de Whisky vazias podem muito bem fazer parte de uma crença que não seja a católica e que veja neste acto uma maneira de agradar aos seus no céu ou inferno. As galinhas pretas são indesejáveis por ser claramente uma violação às mais básicas regras de higiene. Que se chame a ASAE. As “missas negras” apenas o são por não haver luz no cemitério e assim serem dadas às escuras.

Quer uma boa solução? Que se afecte parte dos 200.000€ dispendidos no templo da madre Rita situado na Quinta do Galo e se aplique na construção de um templo que dê para todas as religiões, igrejas, seitas, beatices e crendices várias, de Jesus dos Últimos Dias ao professor Bambo. O terreno é pedi-lo a quem ofereceu aos beatos de Ribafeita aquela parcela nada menosprezável para a zona da cidade em causa. Até porque se o critério for a grandeza dos milagres feitos pelos beatos a homenagear pelo erário público, a senhora de Corvos merecia então uma Catedral!

É assim, enquanto se faz a festa e se inova em Coração de Jesus, por aqui continua a lenga-lenga do costume... Preocupasse-se o Sr. Presidente mais com os seus fregueses em vez de se andar à caça às bruxas e aos fregueses dos outros...
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Porque o Vandalismo não é de Hoje: Viseu, 20 de Maio 1891

terça-feira, maio 25, 2010

Sempre que o vandalismo vem à baila, há quem se socorra dos chavões do costume para condenar tais actos, que o são. Escusado eram os estereótipos. Ou porque a “juventude hoje já não tem respeito nem educação”, ou porque a “polícia não tem poder”, ou porque “as autoridades são complacentes”, acabando invariavelmente com a frase do costume: “Eram precisos dois ou três como o Salazar para pôr tudo na ordem”

Mas o vandalismo tem raízes profundas e tanto assim é que na origem da palavra estão povos bárbaros que ajudaram à queda do Império Romano. Tivesse Viriato levado de vencido o exército romano, também seria provavelmente considerado um vândalo também...

Contudo não quero ir tão longe, e por falar em Viriato e indo para "O Viriato", jornal viseense e republicano do séc. XIX que foi buscar o nome ao herói lusitano e hoje coraria de vergonha muitas publicações por aí circulam, atente-se só nesta notícia de 20 de Maio de 1891 e a que podem aceder aqui num trabalho meritório da Biblioteca Nacional de Portugal:



E com notável ironia no último parágrafo!
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Mais uma Pedrada no Charco da Engenharia local!

sábado, maio 22, 2010
O AJ já vai na pedrada nº7, e por este andar facilmente chegará a números mais redondos ainda. Como já vem sendo hábito por cá, primeiro faz-se, depois remenda-se porque nunca se chegou a pensar bem naquilo que se estava a fazer. Quando se concebe uma rotunda assim, ainda para mais sabendo de antemão que a mesma servirá de passagem a centenas de autocarros diariamente, ou é azelhice, ou laxismo ou pura incompetência de quem pensou o projecto.

Nada que surpreenda. No parque começou-se a construir sem autorização e hoje é o que se sabe, em Santiago o local projectado para receber a feira semanal é hoje uma coisa que ninguém sabe bem definir, a prometida praia fluvial afinal vai ser reavaliada pela difícil viabilização, o funicular anda sempre funiculado...

Aquilo que nasce torto...
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Fernando Ruas: Entrevista Matinal na SIC e Medalha Vespertina em Belém!

quinta-feira, maio 20, 2010
O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses foi hoje a Lisboa. Entrevista na SIC e Medalha em Belém. Afinal hoje é o Dia da Autonomia do Poder Local, e vetada a Regionalização, cabe hoje aos municípios e juntas de freguesia o contacto mais próximo com as realidades quotidianas dos cidadãos. Daí a condecoração à Associação dos Municípios Portugueses com o grau de Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique pelas 15h30 no Palácio de Belém.

Na entrevista de 10m alertou bem para as contradições do governo: não se pode pedir investimento público por parte das câmaras e ao mesmo tempo cortar na admissão de novos funcionários ou substituição daqueles que saem ou se aposentam. São contradições próprias do capitalismo, que há necessidade da poupança, acrescenta a necessidade do consumo desenfreado como se um não anulasse o outro nos cada vez mais pobres orçamentos familiares.

Mas também não se pode exigir mais descentralização apenas para levar avante a teoria política que tem o caciquismo como valor supremo... Descentralização sim, mas só aprofundando as democracias internas. E aí a "vaca torce o rabo", porque em Viseu anda-se a negar há anos medidas como o Orçamento Participativo, o que acaba por afastar ainda mais as populações e a sociedade da discussão pública das políticas e economias locais, exactamente aquilo que Fernando Ruas critica ao poder central... Curiosa foi ainda a proposta de criação de uma entidade fiscalizadora das autarquias que não esteja sob a alçada estatal. Parece que ainda existem ressentimentos após a visita da IGAL à Câmara Municipal de Viseu...


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Loja do Cidadão no Centro Histórico? Não, apenas o Balcão da Câmara...

terça-feira, maio 18, 2010

O Diário de Viseu traz hoje em título que o “Executivo aprovou (a) transferência da Loja do Cidadão para centro histórico”. Quem tem por hábito ler apenas as gordas dos jornais, ou porque não lhes interessa o conteúdo ou porque os euros para este tipo de papel são cada vez mais escassos, acaba muitas vezes por ser defraudado nas expectativas.

Não estando a Loja do Cidadão debaixo da tutela da Câmara Municipal, desconfia-se logo à partida da notícia, e lendo a notícia desvenda-se logo o mistério: afinal refere-se apenas à transferência do balcão da CMV...

Nunca concordei muito com a transferência da Loja do Cidadão para o centro. Afinal o propósito da mesma é facilitar a vida aos cidadãos e não complicá-la. Não é para revitalizar coisa nenhuma que não seja a medonha burocracia do estado e para concentrar serviços essenciais como o fornecimento de água, luz, gás... No fundo, descomplicar.

Tem-se feito tudo nas últimas décadas para empurrar as pessoas para as periferias e assim satisfazer o apetite voraz dos construtores. Não há qualquer política para travar essa sangria que tem levado os viseenses para os limites da cidade. Permitem-se inúmeros fogos novos sem acautelar, nem forçar a reabilitação dos edifícios moribundos do centro histórico, excepto um ou outro caso avulso. Os incentivos para os jovens e estudantes o povoarem não passam do papel e os prédios devolutos são cada vez mais e a população idosa, exceptuando à noite, uma maioria. O estacionamento para os moradores é uma miragem e a privatização total da rua pelos parquímetros é uma realidade. O presidente esquece-se de um pormenor que não o afecta a ele, mas afecta a generalidade dos viseenses que não têm um lugar cativo no Rossio para estacionar quando quiserem...

Não é com artificialismo que se dá vida aos centros das cidades. É com habitantes! E aí nada tem sido feito.

Que venha o balcão da CMV. Não mudará coisa nenhuma e apenas duplicará os serviços existentes no Rossio... Fernando Ruas espera poupar com esta medida. Na renda, e nos funcionários que são três mas que só deviam ser dois, isto ao mesmo tempo que brada aos media porque considera «inacreditável» o congelamento da entrada de funcionários proveniente do PEC.
ica uma sugestão. Que continue com os três funcionários e alargue o horário de atendimento para que não coincida com o “horário nobre” da câmara e assim crie uma qualquer vantagem que não seja o simples “quero porque posso e posso porque quero.”

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Bispo de Viseu: A inconveniência que convém!

quarta-feira, maio 12, 2010


O Bispo de Viseu achou inconveniente a utilização da imagem de Ratzinger para promover a festa que se realizou ontem no “Factor C”. A inconveniência de que nos fala D. Ilídio Leandro é compreensível. Ainda ontem Ratzinger fez um apelo aos artistas: “Fazei coisas belas”. Bem, de facto não vejo qualquer beleza num poster que apresente as costas do Papa. Mas o incómodo do Bispo de Viseu tem outra natureza.

É que a Igreja vendeu os “direitos exclusivos da distribuição de produtos com a imagem do Papa Bento XVI na visita a Portugal” ao grupo Sojormedia, e não é certo que o grupo Noite Biba tenha pago as “royalties” aos detentores do Jornal “I” e do “nosso” Jornal do Centro...

A pirataria é coisa ruim. Resta saber quem são os piratas...

E nem disfarçam a coisa, usando e abusando dos media que detêm para publicitar os seus produtos oficiais “made in China”. Basta abrir o semanário viseense para escarrapacharmos logo com uma página inteira alusiva ao merchandising. Basta visitar o ionline para que o amarelo papal ofusque a vista. Basta anotar que foram 4 Bispos os primeiros directores convidados para as edições dos jornais regionais do grupo em 2010. Basta reparar que no Conselho Geral do Grupo Lena se senta o agiota ex-opus dei Teixeira Pinto. Basta lembrar o destino dado ao inconveniente jornal de fim-de-semana da Rádio NoAR e respectivos jornalistas.

Talvez isto seja conveniente para o Bispo de Viseu que vê amplificada a mensagem e os lucros, mas é de todo inconveniente para um jornalismo que se quer plural e independente. Já basta de beija-mãos aos políticos do costume.

Inconveniente é a República envolver-se em crendices e beatices religiosas. Inconveniente é a estatística que transforma todos os baptizados em católicos. Inconveniente é a falta de liberdade de expressão daqueles que se ofendem perante este ajoelhar da República ao obscurantismo religioso. Inconvenientes são os dinheiros públicos que financiam obras privadas de gosto duvidoso para celebrar milagres que roçam o obsceno pela sua autenticidade duvidosa.

Ao procurar no facebook a imagem do dito poster que tanto ofendeu sua eminência, constato que o mesmo se apresenta agora a negro. Talvez de luto pela falta de humor da igreja, talvez no medo de perder o seu quinhão no céu à falta do pagamento da indulgência. Ou então simplesmente porque os responsáveis caíram na real, até porque Olavo de Sousa afirmou ao Diário de Viseu que não sabia "se a figura do papa
era assim tão popular entre os mais jovens, que são os nossos clientes". Pois não! Sabendo o que se sabe hoje, gosta mais a igreja de jovens do que os jovens da igreja...

Se um suspiro de um bispo da província assusta um grupo como o Noite Biba, o que fará um rugido do Papa? Como tal, desarmar no anti-clericalismo está fora de questão. Que permaneçam no obscurantismo medieval é lá com eles. Não obriguem é a sociedade a segui-los para o abismo ignorante que sempre desejaram para a humanidade. Ontem, hoje e Amanhã!



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Ilha da Cova da Moura estreia Amanhã em Viseu!

quarta-feira, maio 12, 2010


Queixamo-nos demasiadas vezes de como somos preteridos na agenda cultura do país. Mas nem sempre é assim. Seja no teatro ou no cinema.

Amanhã, vindo directamente do IndieLisboa, estreia por cá o mais recente filme/documentário de Rui Simões: "Ilha da Cova da Moura" - um retrato do mal afamado bairro lisboeta em que se faz um paralelo com a realidade das ilhas de Cabo-Verde, país originário de grande parte desta população, e onde se explana a procura da dignidade através da cultura popular. A não perder, no Fórum Viseu (ou ainda no Dolce Vita Porto, Classic Alvalade e Allegro Alfragide).

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1º de Maio - Dia do Trabalhador - "Estroina" ao vivo no Estudantino Bar

quinta-feira, abril 29, 2010



Depois do 25 de Abril, o 1º de Maio! Desta feita com a presença dos "Estroina", no Estudantino Bar em Viseu às 22h30, para celebrar um dia que à excepção de Polvos, Chernes, Mexilhões e Varas de Porcos, se quer de todos! Sem desprimor pelos animais!

Passaram 120 anos sob as primeiras lutas pelas jornadas de 8h de trabalho. Mas passou apenas um ano desde a vergonhosa aprovação do código "socialista" que envergonhou até Bagão Félix. "Apenas" um ano desde "que se permitem jornadas diárias até 12 horas e até 60 horas de trabalho semanais."
Basta! Por mim, "No passaran"!





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O Labirinto de Alexandre Azevedo Pinto no abandono a Fernando Nobre!

quarta-feira, abril 28, 2010
Alexandre Azevedo Pinto ameaça tornar-se mais conhecido pelos movimentos que cria ou adere para logo depois abandonar, do que por outra coisa qualquer. Fundador do Bloco de Esquerda, cedo abandonou o partido por divergências. Apoiante destacado do MIC de Manuel Alegre, estatelou-se ao cumprido após o fracasso da Nova Esquerda, desertando inclusive para a recente candidatura cidadã de Fernando Nobre, da qual também... já se afastou!

O economista sustentava o seu apoio no Médico da AMI na afirmação de que "são necessários instrumentos de democracia participativa, mais voz aos cidadãos livres dos partidos e essa foi a grande falha de Alegre". Outra falha, que aqui não foi referida, foi o total desacordo de Manuel Alegre perante a sua proposta de formação de um... novo partido, a Nova Esquerda.
Não percebi, confesso. Se actualmente Azevedo Pinto se considera um cidadão livre por não pertencer a qualquer partido, o que aconteceria porventura à voz do cidadão Azevedo Pinto se a Nova Esquerda tivesse ido avante enquanto... partido político? Continuaria livre? A liberdade de expressão entre militantes só existe nos partidos e movimentos aos quais pertencemos? Ou a cada indivíduo um partido, já que pensamos todos obviamente pela nossa cabeça?

Se pertencemos a um determinado partido/movimento é porque partilhamos um conjunto de valores fundamentais que não podem ser amesquinhados ou depreciados à mínima divergência pessoal. Enquanto pessoas singulares, cada um de nós tem uma ideia própria sobre determinado assunto. Agora supor que a nossa visão é invariavelmente a que deverá prevalecer é um conceito altivo sobre a política, que se faz mormente da comunhão e conjugação de vontades. Porque grande parte das vezes, é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. A união à esquerda separa-nos da direita, a união num partido como o BE separa-nos do PCP, a união à volta de uma determinada moção separa-nos de outras. Não podemos é, estando unidos, estar sempre separados, como de resto já é apanágio da esquerda. Nem tão pouco ir beber da escola conservadora do CDS que se “vende” por dois ou três ministérios. Porque a união só é bonita se não for uma espécie de “União Nacional”...

Mas também é evidente que recebo com agrado esta notícia. Vale mais tarde que nunca. Enquanto cidadão que eleva o altruísmo a um patamar inegavelmente alto, tenho todo o apreço por Fernando Nobre. Mas jamais a Esquerda Republicana poderá apoiar um candidato assumidamente Monárquico. Jamais a Esquerda Republicana poderá apoiar quem tem na sua génese uma concepção de que há direitos que apenas emanam do nascimento e do sangue, neste caso azul. Jamais a Esquerda Republicana poderá optar por um Rei em vez de um Presidente Eleito.

Muitas vezes os caminhos são trilhados com avanços e recuos, mas quando se recua mais do que se avança, não se chega a lado nenhum.
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Vem Fazer o 25 de Abril! Domingo, Estudantino, das 17h às 02h!

sexta-feira, abril 23, 2010



Passados 36 anos após a Revolução dos Cravos, os Vampiros e Polvos Capitalistas-Fascistas poisaram de novo nos Prédios e nas Calçadas, nas Empresas e no Estado!

Urge um despertar de consciências contra a apropriação do que era de todos por parte de alguns.

Junta-te à Festa. Não podemos deixar cair no esquecimento o Sonho de um país mais igual, mais solidário, mais livre, mais democrático, mais justo, mais fraterno! Desistir é morrer, é ceder aos que já tendo muito sempre quererão sempre mais!

Domingo Tod@s ao Estudantino! A partir das 17h!Passa a Mensagem! (Jugueiros, junto ao IPV)

Vem cantar Abril! Não cales a tua Revolta! Vem celebrar a liberdade!

Entre um copo e uma cantiga, entre dois dedos de conversa e um abraço, entre um cravo e um poema! Não importa de onde vimos, aquilo que nos une será sempre mais do que aquilo que nos separa.


"Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!"
N. Morais


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Uma Pedra Sobre o Assunto, uma Pedra no bolso e uma Pedra no Charco!

quarta-feira, abril 21, 2010
Cuidado! Fernando Ruas foi ilibado pelo Tribunal da Relação de Coimbra do crime de instigação à violência pelo qual tinha sido condenado em Viseu, prometendo logo no imediato estar de novo livre para os dislates que lhe são característicos. Assim, em vez de uma pedra sobra o assunto, o presidente prometeu uma pedra no bolso para cada futura discussão, agora que se sente “livre” de constrangimentos, assegurando que no futuro “será muito mais duro” na verborreia. Ou seja, o lobo despiu a pele de cordeiro que levou para Tribunal, onde jurara a inocência da frase “Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. A sério, nós queremos gente que nos ajude e não que obstaculize o desenvolvimento. Estou a medir muito bem o que estou a dizer” e onde garantiu ao mesmo tempo que as suas palavras “visavam apenas levar as pessoas a "falar" com os fiscais do ambiente…

Talvez se exija aqui um novo tratado sobre a Noção de Diálogo segundo Fernando Ruas. Ou não, porque na reacção às afirmações de Carlos Vieira, Deputado Municipal do Bloco de Esquerda que apenas lembrou que assim estaria sujeito ao mesmo tipo de processos e se tornaria num “Alberto João das Beiras”, quem exigiu, neste caso respeito foi… Fernando Ruas. Não consigo encontrar melhor analogia do que a do Mexia a sugerir como medida anti-crise… a reduções de salários. Dos outros pois está claro. Tal como a moderação na língua… logo agora que acumula as funções de Reformado da Segurança Social, Presidente do Município, do SMAS, da ANMP e da Mesa do Congresso do PSD. Mas não, porque as incompatibilidades são para os outros, como as de José Manuel Oliveira. Um autêntico regabofe argumentativo.

Em campanha eleitoral Fernando Ruas afirmou em outdoor que “para apelar ao vento bastam palavras, para apelar ao coração são necessárias obras". No Tribunal de Viseu o Procurador “classificou de "deprimente" a tentativa de algumas testemunhas.” Em Coimbra as palavras de do Pe. António Vieira foram tomadas pela letra. Os juízes foram o vento que ouviu as palavras dos “acólitos” a que a tudo se prestam, até a pagar a multa do Sr. Presidente, e que não viram “obra”, ou seja, a consequência das afirmações de Ruas.

Tivesse-se alguém lembrado de defender a sua terra ou quintal contra os infames invasores protectores do ambiente e demonstrado a razão da força sobre a força da razão, tivesse havido sangue, tivesse o crime sido substanciado, aí sim, haveria razão para condenação. E talvez para uma visita ao Hospital…

Mas de justiça percebemos nós todos. E nem é preciso ver a TVI ou ler o Correio da Manhã. Ela entra-nos assim, via mainstream, pelo nosso… coração dentro!

Ontem fiquei-me por uma Pedrada no Charco. Hoje fico por uma pedrada nos doutos juízes! Isto em sentido figurado, não vá o Golias mudar a história e mastigar o David...
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A Capa e a Batina – O Conservadorismo enquanto pura APARÊNCIA

segunda-feira, abril 19, 2010

A Semana Académica começou. O Cartaz, uma pobreza Franciscana. A Benção das Pastas, cerimónia evocativa do seu arranque oficial, uma afronta à Igreja. Percebe-se o primeiro. Há anos afundada em dívidas a FAV optou pelo seguro: afinal, quase que até se podia colocar simplesmente uma playlist a ecoar pelo pavilhão. E quase ninguém se daria conta, nem sequer se incomodaria, houvesse sempre aberta a destilaria… Não se percebe o segundo. A desconsideração pela celebração da eucaristia a que cada um assiste voluntariamente, é uma evidente contradição pelo respeito à "tradição" que cada um ostenta através do traje e que cada um exige, quando desempenha o mui nobre papel de Doutor perante o praxado… Lembrasse-se o bispo, de reprimendas semelhantes às que os ditos senhores, infligem sobre os seus subordinados aquando estes, pobres caloiros, acéfalos e coitados, chegam à Universidade e precisam de ser… ensinados. Um regabofe!

Graças a Deus, sou Ateu. Mas não vou "cuspir" para igreja, sobretudo quando sou um convidado ou mais grave ainda, o motivo pelo qual se celebra ali a pomposa cerimónia.

Se é enfadonho, sempre têm o simplex: é benzer as pastas via facebook! Aposto que a Santa-Sé encontrará maneira de encaminhar a mensagem ao divino. A desadequação de uma Benção das Pastas numa semana Académica é tão grande que dá nisto.

E saúdo ainda o Diário de Viseu pelo uso da fina ironia para relatar o incidente, isto apesar de perante os poderes instituídos ser do mais subserviente... Reza o jornal que “pelo menos as garrafas de litro e meio de vinho - mais ou menos escondidas debaixo das capas - não foram abertas durante a cerimónia”. Mas isto não é ironia, é pura grosseria – não saberá o sr. Jornalista que o sangue de Cristo está reservado ao Padre???
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As Falsas Promessas: Do Professor Bambo a Fátima

segunda-feira, abril 19, 2010

Li no Jornal do Centro desta semana que um casal de Tábua decidiu processar o professor Bambo, conhecido vidente da Região, do País e quiçá do Mundo. Motivo: A promessa de que este lhe mudaria a sorte nos negócios não se concretizou e o remédio do conselheiro espiritual (umas rezas e uns cheques), para espanto dos clientes /fiéis não surtiu efeito. Ou seja, o casal quer ser ressarcido pela sua própria idiotice...

Bem, se a moda pega, não haverá comarca que aguente tal torrente de processos judiciais... contra santos e beatos, videntes e curandeiros, cartomantes e espíritas, virgens e senhoras, desde Fátima ao São Bentinho! Porque se há bastante que os diferencie, há no entanto algo comum: as falsas promessas! E aí, não há político que os batam, até porque isto é mais uma questão monárquica-oftalmológica : Em terra de cegos, quem tem olho é rei, e a pior cegueira, é mesmo daqueles que não querem ver!

Graças a Deus, Somos Ateus!

PS: Mas como isto de vigários não é de hoje nem de ontem, atentem então neste anúncio publicado no saudoso Viriato, jornal viseense e Republicano do séc. XIX, em que se promete curar a asma e o catarro com... Tabaco! Isso mesmo.




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Os Pavões no Campeonato de Futebol da Areia nos Olhos

terça-feira, abril 13, 2010
2010 brindou-nos com um dos primeiros fins-de-semana de sol e calor. Convite obrigatório para abandonar a hibernação a que muitos de nós se entregaram durante o cinzentismo melancólico e enfadonho do Inverno. Ou não. Pois foi exactamente neste período que a Câmara Municipal de Viseu decidiu mimar-nos com a provinciana "Spring Cup - Futebol de Praia Viseu 2010", uma autêntica chuva de areia nos olhos para alimentar os já de si fortes sintomas de cegueira local.

De Aveiro vieram camiões carregados do valioso material que bem poderíamos trocar por granito que por lá é escasso. Até chega a espantar a ausência de muralhas, castelos ou fortalezas nesta nobre pedra por quem lá se passeia. E como nada se perde e tudo se transforma, talvez fosse boa ideia realizar com a dita um campeonato de castelos de areia durante a semana. E com mais uns camiões de água salgada, no Verão estaria pronta a primeira Praia Urbana Fluvial e Salgada do mundo. Para engrandecer a coisa arranjava-se uma sigla tipo “PUFS”. O cheiro característico de maresia, ficava a conta do Pavia mal rareasse a água. Depois era só abrir um concurso para o cartaz e o slogan, a cargo da inegável competência da Expovis neste tipo de prova, como atesta o exemplar vencedor da edição 2009 da Feira de São Mateus...

Após confirmado o sucesso da iniciativa, a sempre atenta vereação logo magicaria maneira de cá fazer passar o campeonato mundial de Surf ou F1 Motonáutica.


Esta inversão de lógica que modela a gestão camarária pode satisfazer alguns egos e paróquias, mas é de todo contraproducente e despesista. É que o Verão bate à porta e quem se lembre de ir passear para o Parque Aquilino Ribeiro bate com a porta... no nariz! Porque o que importa é enfiar toneladas de areia num pavilhão multifacetado que começa a fazer jus ao nome. E eu a pensar que só no Fontelo é que se podiam apreciar certos pavões...

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Vá Para Fora Bem Cá Dentro - As Beiras como destino!

terça-feira, abril 13, 2010


Falhou redondamente a prometida tentativa de não voltar a colocar este espaço sob a mira técnica. Férias assim o oblige, e ainda bem, sobretudo quando o período referido reporta ao ano transacto. Não é que tenha ido muito longe, mas o segredo e a regra de ouro para o pleno usufruto deste direito (que pelo andar da carroça se transformará também ele numa ameaça à competitividade económica, isto no campeonato chinês da exploração dos assalariados que todos os países ditos civilizados almejam disputar...) é a capacidade para a total abstracção acerca daquilo que nos rodeia diariamente, e a alienação completa sobre acontecimentos que nos batem à porta sempre que nos ligamos à rede/aldeia global. Daí o interregno.

Dizia que não tinha ido longe, tendo em conta as actuais facilidades de deslocação. Mas quantas vezes ignoramos aquilo que nos é próximo e valorizamos aquilo que vemos à distância ou na distância? Fiz uma espécie de vá para fora cá dentro, e quando digo dentro, refiro-me a esta bela e heterogénea região a que se refere genericamente como sendo das beiras. Desde a Lousã a Numão, do Covão da Metade à Régua, da Serra da Freita a Longroiva, de Coimbra a Penedono, passando por outros tantos lugares que no futuro vos darei conta. Talvez um dia agradeçamos o crime desertificador que qual enxurrada, tem movido gentes e por conseguinte um pouco das suas terras para o litoral nas últimas décadas, inclinando demasiado esta caravela portuguesa que ameaça assim o naufrágio e talvez daí não seja de todo inconcebível que haja ilustres intelectuais que defendam a imperiosa necessidade de aquisição de submarinos... custe o que custar. O único dado que se afigura para contrabalançar esta migração, são as inúmeras eólicas que se plantam por toda a paisagem.



E se o país não se afundar, agradeceremos o facto de os sucessivos governos terem transformado o interior numa espécie de reserva ecológica e histórica de uma certa portugalidade, onde ainda se cultiva aquilo que se come; onde se alimentam os animais que dão origem ao leite, à carne e à lã que depois se consomem; onde se andam a pé quilómetros não porque as caminhadas na avenida estão na moda mas antes porque é a única possibilidade e por vezes meio único de transporte; onde as pessoas se dão a conhecer genuinamente sem preconceitos ou necessidades de redes sociais; onde as vacas saem ao nascer do sol e regressam quando este se põe, sem qualquer chip ou choque eléctrico que as comande a não ser os ditames da própria natureza; onde o espaço e o tempo são ainda mais relativos do que as teorizações de Einstein. Afinal, quantos de nós entenderemos a relação espaço-tempo enquanto teoria científica? Poucos. Mas quase todos percebemos logo a outra dimensão que a ruralidade atribui à gestão do tempo e às noções de espaço comparativamente ao constante tic-tac que nos traça diariamente o caminho sem que nos apercebamos.

Com tempo esboçarei aqui umas rotas e umas propostas de trajectos pelas beiras. Hoje fico-me apenas pela transmissão de um pedido, feito por um pastor humilde da Póvoa das Leiras que encontrei na Fraguinha com as suas três vacas, e que me surpreendeu ao dissertar sobre as consequências de um empréstimo do FMI... Estereótipo meu claro – digo-vos muito francamente que não esperava encontrar em plena serra um pastor que se dizia socialista mas nunca comunista (a memória da ex-URSS não poderia levar a outra coisa...); que lembrou o estado de sítio a que se sujeitou o RI14 durante a visita Delgado a Viseu em 1958; que recordou o medo dos bufos e da polícia política; que desenterrou inúmeras e incontáveis histórias de miséria mas também de esperança e que deixou um pedido ao saber-nos de Viseu, terra do ilustre Presidente da Associação Nacional de Municípios, Fernando Ruas: que intercedesse pela conclusão da estrada que liga Santa Cruz da Trapa às Leiras e Candal, da qual se esqueceram de concluir 2 KM junto à vila após as eleições locais, e que obriga em emergências as ambulâncias a deslocar-se num troço de paralelo que agoniza os doentes e obriga os acompanhantes ao transporte obrigatório de um saco para o enjoo... isto ainda antes da nacional para Viseu que por si só não é pêra doce apesar da duplicação de vias junto a São Pedro do Sul. Fica a nota/pedido na ínfima esperança de que quem de direito tropece por aqui.
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