Viseu Esquerda

Vá Para Fora Bem Cá Dentro - As Beiras como destino!



Falhou redondamente a prometida tentativa de não voltar a colocar este espaço sob a mira técnica. Férias assim o oblige, e ainda bem, sobretudo quando o período referido reporta ao ano transacto. Não é que tenha ido muito longe, mas o segredo e a regra de ouro para o pleno usufruto deste direito (que pelo andar da carroça se transformará também ele numa ameaça à competitividade económica, isto no campeonato chinês da exploração dos assalariados que todos os países ditos civilizados almejam disputar...) é a capacidade para a total abstracção acerca daquilo que nos rodeia diariamente, e a alienação completa sobre acontecimentos que nos batem à porta sempre que nos ligamos à rede/aldeia global. Daí o interregno.

Dizia que não tinha ido longe, tendo em conta as actuais facilidades de deslocação. Mas quantas vezes ignoramos aquilo que nos é próximo e valorizamos aquilo que vemos à distância ou na distância? Fiz uma espécie de vá para fora cá dentro, e quando digo dentro, refiro-me a esta bela e heterogénea região a que se refere genericamente como sendo das beiras. Desde a Lousã a Numão, do Covão da Metade à Régua, da Serra da Freita a Longroiva, de Coimbra a Penedono, passando por outros tantos lugares que no futuro vos darei conta. Talvez um dia agradeçamos o crime desertificador que qual enxurrada, tem movido gentes e por conseguinte um pouco das suas terras para o litoral nas últimas décadas, inclinando demasiado esta caravela portuguesa que ameaça assim o naufrágio e talvez daí não seja de todo inconcebível que haja ilustres intelectuais que defendam a imperiosa necessidade de aquisição de submarinos... custe o que custar. O único dado que se afigura para contrabalançar esta migração, são as inúmeras eólicas que se plantam por toda a paisagem.



E se o país não se afundar, agradeceremos o facto de os sucessivos governos terem transformado o interior numa espécie de reserva ecológica e histórica de uma certa portugalidade, onde ainda se cultiva aquilo que se come; onde se alimentam os animais que dão origem ao leite, à carne e à lã que depois se consomem; onde se andam a pé quilómetros não porque as caminhadas na avenida estão na moda mas antes porque é a única possibilidade e por vezes meio único de transporte; onde as pessoas se dão a conhecer genuinamente sem preconceitos ou necessidades de redes sociais; onde as vacas saem ao nascer do sol e regressam quando este se põe, sem qualquer chip ou choque eléctrico que as comande a não ser os ditames da própria natureza; onde o espaço e o tempo são ainda mais relativos do que as teorizações de Einstein. Afinal, quantos de nós entenderemos a relação espaço-tempo enquanto teoria científica? Poucos. Mas quase todos percebemos logo a outra dimensão que a ruralidade atribui à gestão do tempo e às noções de espaço comparativamente ao constante tic-tac que nos traça diariamente o caminho sem que nos apercebamos.

Com tempo esboçarei aqui umas rotas e umas propostas de trajectos pelas beiras. Hoje fico-me apenas pela transmissão de um pedido, feito por um pastor humilde da Póvoa das Leiras que encontrei na Fraguinha com as suas três vacas, e que me surpreendeu ao dissertar sobre as consequências de um empréstimo do FMI... Estereótipo meu claro – digo-vos muito francamente que não esperava encontrar em plena serra um pastor que se dizia socialista mas nunca comunista (a memória da ex-URSS não poderia levar a outra coisa...); que lembrou o estado de sítio a que se sujeitou o RI14 durante a visita Delgado a Viseu em 1958; que recordou o medo dos bufos e da polícia política; que desenterrou inúmeras e incontáveis histórias de miséria mas também de esperança e que deixou um pedido ao saber-nos de Viseu, terra do ilustre Presidente da Associação Nacional de Municípios, Fernando Ruas: que intercedesse pela conclusão da estrada que liga Santa Cruz da Trapa às Leiras e Candal, da qual se esqueceram de concluir 2 KM junto à vila após as eleições locais, e que obriga em emergências as ambulâncias a deslocar-se num troço de paralelo que agoniza os doentes e obriga os acompanhantes ao transporte obrigatório de um saco para o enjoo... isto ainda antes da nacional para Viseu que por si só não é pêra doce apesar da duplicação de vias junto a São Pedro do Sul. Fica a nota/pedido na ínfima esperança de que quem de direito tropece por aqui.
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