Viseu Esquerda

Punk em Viseu! 1 de Agosto no Estudantino!

sexta-feira, julho 24, 2009


Porque o tão afamado empreendorismo não é um exclusivo da direita!

E porque a "noite" não é necessariamente e exclusivamente propriedade da MTV, "marteladas" e afins, eis que surge um excelente projecto de 2 jovens de Coimbra que residindo em Viseu há muito, não conseguiam perceber o facto de a generalidade dos bares aqui serem copy/paste uns dos outros, com o mesmo estilo, com a mesma música, para a mesma massa amorfa que por aí pulula.

Podem ver mais aqui:

Outsidproductions - Myspace

Outsidproductions - blog

Punk nacional, contra o fascismo marchar, marchar!
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V Festival Tribal é este fim-de-samana - Videos

quinta-feira, julho 23, 2009


V Festival tribal, nas caldas da Felgueira. A não perder. Lembrem-se que este ano a "diária" do andanças é 20€!

Velha Gaiteira



Katharsis


katharsis



Fanfarra Kaustica


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Isto é uma notícia ou uma "encomenda"?

quinta-feira, julho 23, 2009
Para além do português duvidoso, reparem só na "grandeza" do título e no estilo pomposo com que se descreve o nosso querido presidente nesta notícia, artigo de opinião ou lá o que é isto.

http://www.noticiasdeviseu.com

Quanto ao estudo em si, nada.

O mais engraçado é que na mesma semana saíram dois estudos na impresna local com resultados quase opostos acerca do nosso concelho. No Notícias Viseu estamos no 23ª lugar em grandeza, seja lá o que isso for, no Diário de Viseu em 68ª segundo o estudo da UBI com o também grande nome 'Indicador Sintético de Desenvolvimento Económico e Social ou de Bem-Estar dos Municípios do Continente português'.

http://www.diarioviseu.pt/10145.htm

Digamos que é uma espécie de "Agora é Escolha". Para quem se lembra.
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Proposta para os STUV

quinta-feira, julho 23, 2009
O horário de trabalho dos assalariados tem vindo a ser ao longo dos últimos anos adaptado quer aos interesses económicos das empresas quer à própria sociedade, que se vai alterando nos hábitos e tende a "deitar-se" cada vez mais tarde.

Isto para dizer: porque é que não existem transportes públicos para as pessoas que saem do trabalho às 22h ou 23h, tal como acontece com a massa de trabalhadores que labutam no Continente, Jumbo, Fórum Viseu e Palácio do Gelo a que acrescem o cada vez maior número de pessoas que estuda à noite, em cursos profissionais ou nas novas oportunidades?

Bastavam 2 autocarros. Um que fizesse um trajecto do tipo continente-fórum-marzovelos-Qt-galo-palácio-cabanões-coimbrões por exemplo, e regressasse mais ou menos pelo mesmo trajecto, e outro que compensasse os restantes bairros mais populosos.

E se quiserem fazer um estudo, peçam a colaboração das instituições do ensino superior. No âmbito das muitas disciplinas estatísticas que exigem a realização de inquéritos do género, poderia acordar-se com os professores e alunos a realização de estudos que nos permitissem conhecer melhor as necessidades das pessoas.

Porque não se pode ver como únicas vantagens de ter instituições de ensino superior na cidade o factor imobiliário(em que há casos escandalosos de fuga à tributação por parte de senhorios que alugam quartos sem passar qualquer recibo, quando todos os assalariados contribuem mensalmente e solidariamente para Segurança Social por exemplo...) e o factor "noite", em que se proporcionam 2 semanas ou três de folia e se animam os bares durante o resto ano lectivo.

Fica a ideia.
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O Facho* e a Fachada! em Linguagem Beirã (1)

quinta-feira, julho 23, 2009
Ao passar hoje no Bairro Municipal (Bairro da Cadeia) reparei que este apresenta uma cara lavada: alcatrão novo e casas pintadas. Afinal o nosso querido presidente não se esqueceu dos pobres pensei. Mas uma leitura mais atenta da placa que anuncia as obras de requalificação e um pequeno inquérito às pessoas que por ali habitam diz tudo: no aviso escreve-se que a intervenção se destina à recuperação da “envolvente e exteriores” e os moradores queixam-se que apenas foram pintadas as paredes viradas para a rua e que preferiam que não lhes chovesse em casa, ou seja, em linguagem beirã, tão querida do nosso querido presidente, isto tem um nome: FACHADA!

Fachada porque o que interessa realmente não é resolver os problemas das pessoas, mas sim aparentar que se faz obra para quem passa. Aqui aplicava-se melhor o verbo OBRAR... porque a trapalhada é antiga e arrasta-se há tempo demais.
Primeiro tentou-se implodir o bairro e enfiar as pessoas naqueles prédios sem varandas a que vulgarmente se chama habitação social mas que depois se transformam rapidamente em guetos. O argumento era a verticalidade! Moradias onde caberiam centenas de apartamentos, com centenas de novas contribuições autárquicas a choverem nos cofres da CMV? Que desperdício dizia-se... Mas o projecto caiu facilmente por terra: então porque é que não se aplica o mesmo raciocínio relativamente às moradias da Av. Infante D. Henrique (que vai no liceu à igreja nova) ou à própria moradia do nosso querido presidente que constitui um verdadeiro oásis naquela selva de betão que é Marzovelos, dizia-se à boca grande... Não havendo contra-argumentação para estas constatações mais ou menos evidentes, aplicou-se a velha táctica do “deixa andar”. Os moradores são na sua maioria idosos e a matemática da vida fará o resto. É cruel dizê-lo desta forma, mas é a vida, ou melhor, a morte. E como não se alugam as casas que vagam, a matemática do negócio torna-se mais simples e menos dispendiosa, até porque entretanto lá se decidiram por conservar parte do bairro, que ficará com 6 ou 7 casas originais para colocação de equipamentos sociais e engaiolar-se-á os moradores nos edifícios a construir, verticalmente porque esta é uma edilidade de homens e mulheres verticais, perdendo estes de vez os seus estimados quintais, que isso hoje em dia são coisas de ricos e um luxo que se paga caro...

E não me venham com o argumento de que as rendas são baixas. Em primeiro lugar, as rendas são baixas porque nunca ninguém as foi actualizando, em segundo porque aquilo tem um nome, Habitação Social (para fazer cumprir a constituição), e em terceiro, a generalidade dos moradores até têm feito obras às suas expensas para melhorar a salubridade das habitações (senão aquilo já nem eram casas, eram barracas) e não fazem mais porque ouvem há dezenas de anos que aquilo é para ir tudo abaixo...

Mas isto de fachadas começa na própria Câmara Municipal. Basta olhar para a linda fachada, branquinha e estimadinha! E basta ir às traseiras, na Rua Conselheiro Afonso Melo (Conservatória do Registo Civil/ NB), para verificar que as paredes estão sujas e têm tinta a estalar por todo o lado... É sintomático!

Voltando ao princípio. Envolventes e Exteriores?! Importa-se de repetir em linguagem beirã Sr. Presidente? FACHADA!




*Facho - subst m facho ['faʃu] tocha, Luz. Por extensão, facho pede ser também a réstia da luz, o raio de luz, o foco da luz.
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H1N1 Na Feira de S. Mateus: Como não fazer uma notícia:

quarta-feira, julho 22, 2009

Ver Notícia original em:
http://www.diarioviseu.pt/10147.htm

Título: "Expovis protege da Gripe A funcionários da Feira de S. Mateus "

Corpo: "estamos a rodear-nos de cautelas em relação aos funcionários que estão no secretariado da feira, a atender ao balcão", contou Jorge Carvalho, gerente da Expovis.

Ou seja, não estão a ser tomadas medidas para proteger os funcionários da feira de São Mateus! Estão a ser tomadas medidas sim em relação aos funcionários da EXPOVIS! mais concretamente do secretariado, que nem devem constituir sequer 1% do total de trabalhadores da Feira de S. Mateus! Mas talvez como estes são na generalidade precários sem vínculo laboral, os senhores da expovis devem ter deduzido pelos números que têm, que os únicos trabalhadores...eram os seus!

Isto é mas é uma Feira da Precariedade! E isso é bem mais grave para a saúde pública e financeira do país, que qualquer estirpe mal amanhada que tem feito o furor da silly-season! Ainda para mais está a chover, e os media, à falta de incêndios, lá nos bombardeiam com os espirros das 8h...

Mas o melhor vem para o fim."se nos próximos dias a Expovis não for procurada pelos serviços do Ministério da Saúde, Jorge Carvalho promete ser ele a contactá-los e a propor que tomem medidas em conjunto." Ou seja, a ministra é que tem de andar de arraial em arraial pelo país fora, à procura do "Senhor" local, para propor medidas! Quantas feiras e festas hà mesmo em Agosto? Milhares e Milhares...

Pelo menos é pró-activo! Fica uma sugestão: usem todos um capacete - porteiros, bilheteiros, funcionários, polícias e feirantes, e não se esqueçam dos póneis!
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CDS já tem candidato à CMV

quarta-feira, julho 22, 2009

O advogado Francisco Mendes da Silva, de 29 anos, é o candidato do CDS-PP à presidência da Câmara de Viseu, prometendo defender um novo contrato social municipal que permita o desenvolvimento do concelho no futuro.

in:
http://www.portalviseu.com/modules.php?name=News&file=article&sid=2089&mode=nested&order=0&thold=0

Apesar de estar no campo político diametralmente oposto ao meu, congratulo-me com o facto de que apesar de apelidada de rasca, esta geração na qual me incluo ter vindo paulatinamente a assumir a sua cidadania. Pertencia à turma dos "betinhos" no liceu,
(vejo que continua igual!) mas desejo-lhe toda a sorte! E um péssimo resultado! Sorry... O interesse colectivo sobrepõe-se ao interesse individual.
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Furtos no Museu que ainda não o é...

quarta-feira, julho 22, 2009

Fernando Ruas tem um novo adversário: o larápio!

Pois é, o Larápio decidiu estragar as contas do sr. presidente, que contava inaugurar o Museu do Quartzo no dia 18 de setembro, em plena pré-campanha eleitoral (coincidências do regime), data que agora terá que ser provavelmente adiada... Lá se vai o programa de festas do dia, mas nenhum mal virá a esta santa-terrinha, pois muitas fitas há para cortar...

Ver mais em:
http://www.diarioviseu.pt/
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Viseu Somos Todos Nós? Nós, os laranjinhas...

terça-feira, julho 21, 2009



Está desfeito o tabu! Fernando Ruas, a pedido de muitas mães de Viseu, lá se decidiu pela re-candidatura ao lugar. O rei da "intifada beirã" ou o "rei da pedrada", como lhe queiram chamar, governa esta cidade de facto desde a idade da pedra...

O resultado é uma cidade limpa e bonita, mas que faz lembrar aquelas maçãs do hiper-mercado: muuito lindas, muito brilhantes, muito redondas, mas quando se vai a provar a coisa... sabe a podre. Sabe a podre quando existem concursos públicos, sabe a podre quando percorremos a noite, sabe a podre quando saímos da "2ª circular" e visitamos as nossas aldeias, sabe a podre quando olhamos para os interesses instalados. A isto lá irei com mais tempo.

Agora o slogan é que está demais: VISEU SOMOS TODOS NÓS
Nós quem? OS laranjinhas? Os filhos, netos, sobrinhos, primos e enteados? Só se for isso, porque todos sabemos que quem está com o poder come quem não está... Porque é que os 2 presidentes de junta socialistas se moveram de armas e bagagens para as listas do PSD? Acho que chegam 2 dedos de testa para obter a resposta!
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Pedrada no Charco!

segunda-feira, julho 20, 2009
De pedrada em pedrada, Fernando ruas lá acabou por ser condenado ao pagamento de uma multa de 2.000€ pelo tribunal de Viseu. Não se retratou, não fez nenhum "mea culpa" pelo excesso de linguagem, não aceitou apoiar monetariamente uma qualquer instituição ambiental, não aceitou prestar qualquer esclarecimento público. Ou seja, não percebeu nada!
Não percebeu que a um titular de um cargo público, sufragado pelos eleitores, não se pode permitir este tipo de linguagem. Não percebeu que os fiscais do ambiente apenas estavam a desempenhar o seu trabalho, fazer cumprir a lei de todos, mesmo contra o interesse de alguns. Não percebeu que a ameaça, a coação e o incitamento à violência não se coadunam com o cargo que desempenha. Nem tão pouco entendeu que esta era uma questão básica de princípios: imaginemos agora que um grupo de cidadãos revoltados com o excesso de zelo da Polícia Municipal se permitisse a tais actos? Qual seria a reacção do Sr. Presidente? Porque nisto de leis não podemos ser selectivos, não podemos escolher aquelas que nos convêm e menosprezar ou ignorar aquelas que nos parecem à partida desfavoráveis.
Nem tão pouco nos podemos refugiar na "linguagem beirã", seja lá o que isso for... Em Portugal conheço o português e o mirandês, o resto são variações de sotaque. Até porque não foi um inocente e metafórico "corram-nos à pedrada", foi antes sim um "Corram-nos à pedrada! A sério. Estou a medir muito bem aquilo que digo. Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada!". Parece-me que mediu mal. Ou não. Mediu mal porque acabou condenado, mas mediu muito bem quando os fiscais do ambiente começaram a ser intimidados após este apelo, ou seja "fez levar a água ao seu moinho"... Até acredito que o Sr. Presidente não se referisse literalmente ao arremesso de pedras aos fiscais, talvez pensasse antes nuns empurrões, umas provocações ou ameaças...
A argumentação da sua defesa, quando viu que a alegação de "masculinidade" da linguagem beirã não era bastante para a absolvição, partiu para o facto de que nem ouve eco das ditas afirmações na imprensa regional do dia seguinte... Bem, penso que isto não é de todo um ponto a favor, e só demonstra mesmo o estado a que chegaram alguns media locais... Houve entretanto outra guinada argumentativa para tentar encontrar pontos comuns entre as afirmações de Fernando ruas e o "malhão" de A. Santos Silva: Nem sequer são comparáveis e mesmo que o fossem não eram obviamente justificação para a instigação pública ao crime. Em desespero de causa ainda se lembraram de uma reportagem da revista "Visão" que o apelidava "Saddam das beiras". Eu também ficaria indignado, é que a guerra das pedradas é característica da Palestina e não do Iraque! Esqueceram-se foi de trazer também à baila aquela outra alarvidade proferida pelo Sr. Presidente: "Em Espanha têm a ETA, aqui temos a EDP!" . Mais palavras para quê?
Após o conhecimento da sentença, os presidentes de junta e vereadores presentes no Tribunal responderam em uníssono e lá se uniram em volta do "rei da intifada beirã" e decidiram eles próprios ajudar a angariar fundos junto dos seus fregueses para pagar a multa! Nem sei porque é
que se ofenderam tanto quando o Procurador os apelidou de "acólitos"
ao ponto de ameaçarem partir para uma acção judicial: Se este peditório não é característico de "acólitos" já não sei o que significa ser acólito...
Agora aquela ideia peregrina do presidente da junta de Cepões de pagar a multa com moedas de 1 cêntimo, bem... só se o Tribunal desconhecer a lei, porque basta consultar o livrinho do banco de Portugal relativo ao euro para se constatar que se podem recusar pagamentos efectuados com mais de 50 moedas! Uma boa ideia era pedir aos viseenses solidários com a "idade da pedra", que atirem umas moedinhas para as fontes enclausuradas nas rotundas e contribuam assim para o peditório!
É por estas e por outras que a palavra "Provinciano" ainda tem uma conotação pejorativa... Pudera!
Pedradas só no charco que caracteriza a actuação desta edilidade. Por mim, dia 11 de Outubro, é corrê-los a votos!
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Lei insossa e sem sabor, limitadora da liberdade individual

domingo, julho 19, 2009
Vem este post a propósito da aprovação na A.R. de uma nova lei que estipula limites para a relação entre pão e sal. Se bem me recordo, esta lei foi aprovada por unanimidade e daqui resultam as minhas questões.

Qual a razão da aprovação de uma lei tão limitadora para a liberdade das pessoas e tão insossa? Se nos basearmos na saúde pública não estaremos nós a abrir um precedente que se repercutirá nas mais variadas confecções culinárias? Se existem no mercado dezenas de tipos de pão, desde os mais salgados aos completamente livres de sal, não caberá a cada um de nós optar por aquele que lhe parecer melhor? Eu que nem sou grande adepto do sal, vejo-me obrigado a comprar esse tal novo pão sempre que na padaria já não têm do normal, e aquilo nem é pão nem é nada... agora vão-me a obrigar a comê-lo só porque existem pessoas que não se privam de sal ou abusam dele em casa ou no Mcdonald's?

Pessoalmente acho um erro lamentável, ao pior estilo da ASAE... Onde cabe a liberdade/responsabilidade individual neste caso? E o que se seguirá? Limites ao número de ovos por pão de azeite ou doçaria conventual? Limite ao número de gramas de carnes vermelhas servidas por refeição? Não me vou alongar nos exemplos por entender que já demonstrei o meu ponto de vista, mas limitar o que quer que seja quando apenas está em causa a opção pessoal de cada um parece-me contrário à defesa das mais elementares liberdades.
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Homenagem de Cavaco silva a salgueiro Maia: Mudam-se os tempos...

domingo, julho 19, 2009
Está visto que Cavaco Silva decidiu colocar definitivamente o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na agenda, fazendo deste um "happening" em tudo contrário aos enfadonhos discursos que o costumam caracterizar, não a ele, mas ao dia, ou também a ele e ao dia.

Se o ano passado a cerimónia ficou marcada pelo revivalismo da "raça", não sei se de cães de água ou de cavalos lusitanos, o Sr. Presidente da República aproveitou hoje a data para se redimir de um erro histórico cometido pela sua pessoa e pelo seu governo há exactamente 20 anos atrás, ao decidir homenagear Salgueiro Maia publicamente com a colocação de uma coroa de flores na sua estátua em Santarém. Para quem não se recorda do episódio sórdido que tanta polémica e indignação gerou na altura, aqui fica um resumo:

Corria o ano de 1988 quando Salgueiro Maia requereu uma pensão que considerasse os chamados "serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país". Em 1989, o conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República aprovou o parecer por unanimidade. O governo ignorou-o. Tal como ignorou Saramago. E de ignorância em ignorância, e do alto da sua maioria absolutíssima, fez-se luz e decretou-se que jamais esse ignorante governo ignoraria portugueses tão prestáveis. Pena é que essa luz tenha vindo apenas 3 anos depois, quando caíram na secretária do nosso ilustre primeiro-ministro os pedidos de reforma de 2 inspectores da sombria PIDE/DGS, António Augusto Bernardo e Óscar Cardoso, prontamente assinados. O primeiro foi o último e derradeiro chefe da polícia política em Cabo verde, o segundo foi um dos agentes que se barricaram na António Maria Cardoso e que dispararam sobre a multidão que festejava efusivamente a liberdade concedida horas antes pelos militares comandados por, ironia das ironias, Salgueiro Maia. Morreram 4 pessoas. Aliás, as únicas vítimas da revolução. Cavaco Silva premiou um dos assassinos com a mesmíssima reforma que havia negado a Salgueiro Maia, isto é, pelos chamados "serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país".

Estamos hoje em 2009. Os tempos são outros, e o austero primeiro-ministro de então também já está na "reforma". Na reforma que recebe do Banco de Portugal e na reforma que recebe da segurança social pelos anos em que leccionou na Universidade Nova. Mas estando na reforma, também trabalha, pelo que recebe o salário que é de lei, respectivo às funções que desempenha. Claro que sendo um homem vertical, abdicou após a sua eleição para a presidência da pensão vitalícia a que tem direito enquanto ex-primeiro-ministro e dos cerca de 5.000€ de ordenado pagos pela Universidade Católica enquanto professor, e por isso fez no discurso do novo ano de 2008 uma crítica velada aos excessivos ordenados de alguns gestores, não todos, alguns. Isto porque sempre se safam aqueles que lhe permitiram, a ele e à filha, rendimentos especulativos extraordinários como no caso das acções à guarda da SLN. A esses não se pode apontar o dedo. Afinal não é todos os dias que se compram acções a 1€ e se vendem depois passados 2 anos a 2,4€. No balanço final das contas, o buraco de mais de 2 mil millões de euros no BPN, paga-o o contribuinte...

Alguns dirão que vale mais tarde que nunca. Também tenderia a concordar, não fosse o facto de Manuel Alegre se preparar para a batalha das presidenciais, e sem um piscar de olho à esquerda, o sr. Silva até poderia ser muito bem o 1º Presidente da República pós 25 de Abril a não conseguir o 2º mandato.

Sendo assim, prefiro saudar antes o facto de Cavaco Silva ter saído do altar onde muita da direita portuguesa o havia colocado e de ter regressado ao campo da humanidade: afinal também tem dúvidas e também se engana. Redondamente.

Porque homens providenciais, só nos livros de história!
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Sócrates e Durão: A Bem da Nação!

domingo, julho 19, 2009
Sócrates e Durão: A Bem da Nação!

Apesar de surpreso pela notícia do apoio de José Sócrates a Durão Barroso, o que mais me chocou não foi o facto de o Primeiro-Ministro apoiar a reeleição do actual presidente da Comissão Europeia, mas sim os argumentos nacionalistas utilizados para sustentar essa posição. Sócrates no parlamento não disse uma palavra acerca do mérito de Durão Barroso, do trabalho desenvolvido pela comissão, da capacidade de liderança, dos projectos para o futuro. Pelo contrário, defendeu-se dos ataques da oposição com um discurso patriótico do "se é português é bom", o que revela um total desrespeito pela visão supranacional que deveria orientar os discursos dos líderes europeus nas discussões acerca do projecto europeu e que é típico do provincianismo que muitas vezes caracteriza muitos dos dirigentes da pátria. Claro que também não faltaram as velhas acusações de sectarismo da esquerda, mas onde é que encaixamos então Mário Soares, José Manuel Fernandes ou Vasco Pulido Valente que condenaram em uníssono esta "saloiice" e com quem eu me vi obrigado a concordar?

Eu sei que hoje em dia os princípios contam pouco, mas então fica a pergunta: e se fosse Mário Machado? Votaria Sócrates na sua eleição contra um qualquer estrangeiro independentemente da ideologia? Será que ser português é o critério mais importante quando confrontado com um estrangeiro? Já nos tínhamos dado conta que isso acontece invariavelmente nos relatos radiofónicos dos jogos da UEFA, do Euro ou do Mundial sempre que equipas nacionais jogam contra estrangeiras, mas querer aplicar a mesma regra à União Europeia para além de ridículo é perigoso, porque faz despertar sentimentos que quando levados ao exagero resultam invariavelmente em guerra, e a Europa já testemunhou duas guerras mundiais graças ao nacionalismo exacerbado, e ainda há bem pouco tempo a Jugoslávia se fragmentou através de uma guerra brutal que derivou da mesma problemática. Mas não é isso que aqui está em causa, aquilo que se pergunta é: para José Sócrates, em que lugar encaixa o critério nacional? Acima do mérito, da capacidade, da visão, do projecto? Até que ponto o nacionalismo é mais importante que qualquer outro critério para o nosso primeiro-ministro?

É claro que houve logo um coro de aplausos à coragem de Sócrates. Por exemplo, o director do Sol, José Saraiva, argumenta com o facto de ficarmos contentes sempre que o Ronaldo marca ou ganha um jogo! Eu acho mas é inacreditável como é que se pode comparar o sucesso ou insucesso de Ronaldo com o destino e o futuro da Europa! Sim, porque é disso que se trata. É que eu não vislumbro até que ponto influenciará a minha vida uma derrota ou vitória de Ronaldo! Mas tenho a certeza de que a eleição do presidente da comissão europeia terá uma relação directa no que serão os próximos 5 anos para os europeus, porque dele dependerão muitas das directivas que influirão directamente sobre as nossas vidas, dos portugueses e dos europeus, seja lá qual for a distinção. Porque esse patriotismo da bandeira na janela ou à varanda e em que depois no dia das eleições se fica em casa a mim não me diz rigorosamente nada. Isso não é patriotismo, é provincianismo.

A verdade é que a União Europeia não pode viver refém desta mesquinhez nacional, não pode ser uma soma de nacionalismos, de Portugal à Polónia, da Alemanha à França, correndo o risco de implodir quando todos os líderes decidirem em função da sua própria nacionalidade.

Aproveito também a oportunidade para indagar então até que ponto chega o amor à nossa terra. Nas eleições legislativas o critério então dos habitantes de Castelo Branco será votar Sócrates porque é da cidade. Nas eleições autárquicas votaremos no candidato da nossa freguesia. Para a junta o critério seria votar na pessoa da minha aldeia. No condomínio votarei naquele que for do meu andar. É esta a noção que o PS tem da política de proximidade. Está bem que até pode ser para alguns um bom critério, mas não pode ser de todo um preceito que reja as decisões de um primeiro-ministro. Isto nem num país do faz de contas. É a velha discussão em torno das capelas e das capelinhas e o nacional-umbiguismo ou nacional-amiguismo no seu esplendor máximo.

Claro que todos quereríamos um TGV à porta, um aeroporto na cidade, uma auto-estrada que desembocasse no nosso bairro. Mas não é por amarmos a nossa terra e termos poder para o fazer que agora desataremos a construir elefantes brancos só porque é bom para a nossa cidade independentemente de ser mau para o país. O mesmo se aplica à escolha de Durão Barroso. Não é por ser prestigiante para Portugal que iremos pôr em causa o futuro da União. Barroso foi o criado de serviço na mais vergonhosa cimeira da nossa democracia e que originou a mais vergonhosa guerra das últimas décadas, caracterizada pela mentira e motivada pela ganância de Bush e seus amigos. Barroso é o rosto ultrapassado do neo-liberalismo fraudulento que nos colocou perante a mais grave crise económico-financeira desde a 2ª Guerra Mundial. Barroso foi o homem que deixou Santana como herança, foi o homem que na última cimeira do G-20 não se viu. Não se deverá o protagonismo de Sarkozy, Brown, Merkel e Berlusconi à falta de carisma e liderança do presidente da Comissão Europeia? E de que modo isso se traduz em prestígio para Portugal? Só se for um prestígio à prestige! Um prestígio contaminado pelo petróleo.

Talvez este apoio se deva exactamente ao facto de Barroso ter oferecido uma oportunidade única a Sócrates de obter a maioria absoluta, isto porque ninguém de bom senso vislumbrava alguma espécie de futuro para a dupla Santana/Portas... E até desconfio que o apoio incondicional ao tratado de Lisboa, esquecendo o tão prometido referendo à vontade popular, se deve somente e tão só a isso mesmo, ao nome: Lisboa. Já imaginaram nos livros de história, a par do Tratado de Roma e dos fundadores da comunidade europeia, o Tratado de Lisboa e Sócrates como mentor da nova Europa? Eu não, mas aposto que Sócrates tem vindo a sonhar com isso, apesar do não irlandês e as reticências checas terem transformado aquilo que parecia um belo sonho num pesadelo...

Agora o nacionalismo discute-se internamente através da necessidade de um Bloco Central, a bem da nação. Então estes senhores repartiram o poder nos últimos 33 anos, acusam-se mutuamente sobre as culpas do atraso estrutural que cada vez mais nos caracteriza, da inércia governativa instalada, dos índices vergonhosos que nos afundam nas tabelas de desenvolvimento e querem agora fazer-nos crer que serão eles a salvar-nos? E depois de quatro anos de bloco central, para cima de quem atirariam a responsabilidade da má governação? Por mais que os cartoonistas, humoristas e a generalidade dos comentadores se regozijem com a ideia de Sócrates e Manuela a passear de mãos dadas por São bento, o país não pode aceitar este cenário aterrador de ânimo leve.

Afinal de contas, isto é porreiro para quem pá?


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