Ao passar hoje no Bairro Municipal (Bairro da Cadeia) reparei que este apresenta uma cara lavada: alcatrão novo e casas pintadas. Afinal o nosso querido presidente não se esqueceu dos pobres pensei. Mas uma leitura mais atenta da placa que anuncia as obras de requalificação e um pequeno inquérito às pessoas que por ali habitam diz tudo: no aviso escreve-se que a intervenção se destina à recuperação da “envolvente e exteriores” e os moradores queixam-se que apenas foram pintadas as paredes viradas para a rua e que preferiam que não lhes chovesse em casa, ou seja, em linguagem beirã, tão querida do nosso querido presidente, isto tem um nome: FACHADA!
Fachada porque o que interessa realmente não é resolver os problemas das pessoas, mas sim aparentar que se faz obra para quem passa. Aqui aplicava-se melhor o verbo OBRAR... porque a trapalhada é antiga e arrasta-se há tempo demais.
Primeiro tentou-se implodir o bairro e enfiar as pessoas naqueles prédios sem varandas a que vulgarmente se chama habitação social mas que depois se transformam rapidamente em guetos. O argumento era a verticalidade! Moradias onde caberiam centenas de apartamentos, com centenas de novas contribuições autárquicas a choverem nos cofres da CMV? Que desperdício dizia-se... Mas o projecto caiu facilmente por terra: então porque é que não se aplica o mesmo raciocínio relativamente às moradias da Av. Infante D. Henrique (que vai no liceu à igreja nova) ou à própria moradia do nosso querido presidente que constitui um verdadeiro oásis naquela selva de betão que é Marzovelos, dizia-se à boca grande... Não havendo contra-argumentação para estas constatações mais ou menos evidentes, aplicou-se a velha táctica do “deixa andar”. Os moradores são na sua maioria idosos e a matemática da vida fará o resto. É cruel dizê-lo desta forma, mas é a vida, ou melhor, a morte. E como não se alugam as casas que vagam, a matemática do negócio torna-se mais simples e menos dispendiosa, até porque entretanto lá se decidiram por conservar parte do bairro, que ficará com 6 ou 7 casas originais para colocação de equipamentos sociais e engaiolar-se-á os moradores nos edifícios a construir, verticalmente porque esta é uma edilidade de homens e mulheres verticais, perdendo estes de vez os seus estimados quintais, que isso hoje em dia são coisas de ricos e um luxo que se paga caro...
E não me venham com o argumento de que as rendas são baixas. Em primeiro lugar, as rendas são baixas porque nunca ninguém as foi actualizando, em segundo porque aquilo tem um nome, Habitação Social (para fazer cumprir a constituição), e em terceiro, a generalidade dos moradores até têm feito obras às suas expensas para melhorar a salubridade das habitações (senão aquilo já nem eram casas, eram barracas) e não fazem mais porque ouvem há dezenas de anos que aquilo é para ir tudo abaixo...
Mas isto de fachadas começa na própria Câmara Municipal. Basta olhar para a linda fachada, branquinha e estimadinha! E basta ir às traseiras, na Rua Conselheiro Afonso Melo (Conservatória do Registo Civil/ NB), para verificar que as paredes estão sujas e têm tinta a estalar por todo o lado... É sintomático!
Voltando ao princípio. Envolventes e Exteriores?! Importa-se de repetir em linguagem beirã Sr. Presidente? FACHADA!
*Facho - subst m facho ['faʃu] tocha, Luz. Por extensão, facho pede ser também a réstia da luz, o raio de luz, o foco da luz.
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