Viseu Esquerda

A tod@s @s Bloquistas - Militantes, Simpatizantes e Votantes - Começou o Debate: Que Futuro?


Transponho aqui algumas propostas para o debate interno, mas virado para o exterior e aberto como sempre a tod@s, que inevitavelmente se seguirá após as 3 eleições de 2009 e respectivos resultados (com especial ênfase nas autárquicas, onde a ainda pobre implantação no terreno se traduziu em fracos resultados - como esmiuçaram ontem os gatos: "ganhámos, mas perdemos", isto é, ganhámos vereadores, deputados municipais evotos, mas perdemos face ás expectativas) e lançado originalmente pelo Daniel Oliveira (Eixo do Mal) no blog ARRASTÃO em molde de perguntas às quais poderão ir respondendo ou interpretando:

Texto de Daniel Oliveira:

"Defendi aqui o começo de uma séria reflexão no Bloco de Esquerda. Estamos longe de novos confrontos eleitorais em que o partido esteja envolvido e num momento em que o Bloco sai politicamente reforçado deste circulo eleitoral, apesar dos resultados das autárquicas que levantam muitas questões sobre a estratégia seguida pelo Bloco (eles são um preocupante retrato do trabalho do partido no terreno). Mas o Bloco tem pela frente um novo momento, com um governo minoritário e uma crise social e económica. Não pode adiar mais um debate que seja. Esse debate deve ser, apesar da sua natureza interna, virado para o exterior.

Dou aqui uma primeira contribuição. Apenas com dúvidas e perguntas. Propositadamente público: porque acho que é assim ele deve ser feito. O Bloco não é apenas dos seus dirigentes. Nem sequer é apenas dos seus militantes. É também dos seus apoiantes e simpatizantes. Eles devem participar na vida do partido e dar o seu contributo. Aqui ficam doze pontos. Podiam ser muitos mais.

1 – Como dar aos autarcas eleitos para as câmaras e juntas de freguesia um papel mais activo na resolução concreta dos problemas das pessoas? Um exemplo (sem tomar posição, por desconhecimento da situação concreta): em Almada, a CDU perdeu a maioria absoluta. O Bloco elegeu um vereador que garante essa maioria. O que fazer? Ou seja: deve ou não o Bloco repensar a sua estratégia em relação à assunção de responsabilidades executivas, começando pelo poder mais próximo das pessoas e com menor peso ideológico? Ou deverá o seu papel ser ainda e sobretudo o de oposição, “provedor do cidadão” e de denúncia?

2 – Como fazer valer a força dos 31 deputados do Bloco e da CDU no Parlamento? Conseguirão o PCP e o BE sentar-se a uma mesa e encontrar alguns temas em que, com o Partido Socialista, possam fazer maioria, reduzindo assim a força que o CDS/PP terá nesta legislatura? Ou não estão criadas as condições de confiança entre os dois partidos para que tal aconteça? Poderá esta estratégia pôr em causa a identidade do Bloco e até afastar muitos eleitores que se sentem mais próximos do Partido Socialista?

3 – Como continuar a relação estabelecida com sectores próximos de Manuel Alegre e assim fazer pontes com o eleitorado descontente do Partido Socialista? Será este o protagonista de uma recomposição da esquerda ou eles estão noutros lugares (ou pura e simplesmente não existem)? Sendo esta a estratégia correcta (haja ou não cisões no PS), em que moldes deve ser feito esse diálogo (quem diz alegristas, diz Renovação Comunista ou sectores dispersos que tradicionalmente se encontram entre o PS e o Bloco)? Ele deve limitar-se a acções pontuais conjuntas, a um diálogo mais profundo e programático, a uma estratégia comum para as presidenciais ou a soluções organizativas?

4 – Como preparar, com tempo e para efeitos mais do que propagandisticos, uma base programática menos frágil do que aquela que foi apresentada nas últimas legislativas? Como conseguir que mais quadros técnicos e especialistas acreditem no Bloco como uma força política séria com capacidade de fazer propostas execuíveis? Como abandonar, também a nível nacional, uma certa auto-suficiência a que o Bloco se parece ter entregado?

5 – Como inverter a imagem de que o Bloco é um bom partido de protesto e denúncia, mas com pouca capacidade de proposta e execução? A questão é esta: podendo ser um voto de protesto (o protesto faz parte do voto e da democracia), a questão é saber se se acumula com ele capital de queixa ou se com ele se querem mudar as coisas? Para isso, é preciso saber como fugir à sobrevalorização da estratégia mediática, que faz do Bloco refém das suas próprias qualidades retóricas, mas atrasa a construção de um projecto político mais sólido e menos dependente dos humores eleitorais? Poderá ser isso feito pelo alargamento da base militante? Pela abertura aos circulos de simpatia próximos do Bloco? Pela assunção de responsabilidades executivas? Pelas três coisas em simultâneo?

6 – Como fazer o alargamento da militância do Bloco de Esquerda para que esta corresponda mais à sua base social de apoio e aos seus eleitores e menos às suas origens políticas? Como, a nível local, envolver mais gente, evitando a auto-suficiência visível nas últimas autárquicas? E o que tem de ser repensado no tipo de militância tradicional para esse alargamento não ser apenas estatístico? Ou, pelo contrário, o alargamento da militância, num tempo em que o interesse pela política é reduzido, não é a resposta para a situação que vivemos?

7 – Como aprofundar a democracia interna do Bloco, que tem deixado aos militantes o papel de formiguinhas com pouca capacidade de influência nas decisões do partido? E como fazê-lo sem que isso signifique o fechamento do Bloco em si mesmo e nas suas pequenas questões internas? Como garantir que essa democracia interna não corresponde apenas a pequenas lutas e antes resulte num debate sobre as questões políticas fundamentais? Não basta decidir fazer o debate. O método usado para o fazer também é importante. Aberto ao exterior, com participações alargadas, ou mais interna com o objectivo de “arrumar a casa”?

8 – Como garantir a pluralidade interna do Bloco e, ao mesmo tempo, ir diminuindo o peso das correntes dentro do BE, dando a todos os militantes, incluindo aqueles que não são de nenhuma corrente (e que são a larga maioria do partido), os mesmos instrumentos de intervenção que aos restantes? Como garantir um partido de militantes e, já agora, de apoiantes e simpatizantes? E como conseguir que a participação de pessoas externas ao partido não diminua as garantias de democracia interna nas decisões, que exigem algum grau de filiação e de formalismo?

9 – Como preparar a renovação das lideranças do Bloco, dando a uma nova geração de dirigentes (independentemente das suas idades) um papel reforçado? Como contrariar a concentração de poder em poucas pessoas garantindo, em simultâneo, a coesão política do partido? Ou, pelo contrário, corre o Bloco o risco de, acelerando a sucessão dos seus líderes fundadores, perder espaço e qualidade de intervenção política e até coesão interna, garantida por relações de confiança estabelecidas nos últimos 10 anos? Está o Bloco preparado para entrar numa nova fase sem que a sua sobrevivência seja posta em risco?

10 – Como garantir que a clarificação política do Bloco, necessária e inadiável, não resulta em exclusões e redução da pluralidade do partido nos eleitos e no seu quadro dirigente? Como fazer um debate franco, aberto ao exterior e sem tabus sem que disso resultem fracturas internas irresolúveis e enfraquecimento da sua imagem externa? Como contrariar lógicas sectárias ou tribais e exclusões empobrecedoras da diversidade do Bloco (que tem sido um dos seus segredos para o sucesso) que podem resultar de um debate não controlado? Como evitar que os adversários políticos do Bloco aproveitem esse debate franco para o enfraquecer?

11 – Como mudar o trabalho do Bloco de Esquerda na juventude, que tem desaproveitado de forma incompreensível este imenso capital de crescimento? É possível um partido crescer de forma orgânica na juventude, que não tem qualquer interesse em intervir nas estruturas tradicionais partidárias, sem criar as “jotas” que tão bem tem evitado ou sem mudar de forma radical a sua forma de organização?

12 – Como encontrar um modelo de trabalho sindical e de relação com os movimentos sociais que consiga fazer passar da teoria à prática a ideia de que o Bloco, mais do que disputar influências com o PCP, tem uma alternativa no tipo de relações com a sociedade civil? Como garantir uma verdadeira abertura que não se limite a procurar momentos de convergência oportunos que não “infectam” o partido com as contradições dos movimentos sociais? Como contrariar a tentação de criar movimentos sociais que não sejam uma repetição de velhas correias de transmissão, apenas de cor diferente?

São estas as dúvidas, as inquietações e as perguntas que aqui deixo. Não são novas, mas tornaram-se cruciais. Não dou aqui respostas. Essas são para o debate. A fazer no Bloco e fora dele. Essa é a primeira mudança necessária: um partido virado para fora tem de ser, é verdade, um partido que fala dos problemas das pessoas. Mas tem de ser também um partido que deixa as pessoas (as que nele votam ou que com ele simpatizam) falar dos problemas do partido."

Lançados os dados, venham os palpites, aqui ou aqui!

E repito:

NEM A DEMOCRACIA SE ESGOTA NAS ELEIÇÕES, NEM A CIDADANIA SE ESGOTA NO VOTO!

PARTICIPA!

1 comentários:

Mais iniciativas que não envolvam tanta carga política. Abrir aos simpatizantes e votantes, motivá-los para funcionarem em rede. Mais trabalho junto das populações. Menos discursos inflamados e mais propostas concretas nas autarquias. Não pode ser só transparência. Mas a reflexão é inevitável. que caminho?


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